Relembrei dos momentos
bons, dos ruins, das tragédias e comédias, lembrei da falta, bem enterrada lá
no fundo, que sinto de você. Lembrei, então, das coisas ruins. Aquelas que eu
escondo embaixo de camadas e mais camadas de momentos bons. Dos péssimos
momentos que escondi no fundo do guarda-roupa, debaixo de todos os cobertores,
momentos cheios de traças e vermes, cujo cheiro de podridão me leva às lágrimas
até hoje.
Não entendo porque as
memórias horríveis são sempre as últimas a serem lembradas.
Não entendo porque as
boas são sempre as primeiras.
Dói ir do bom ao ruim em
questão de momentos.
Dói lembrar do príncipe
no cavalo branco que se transformou no dragão que guarda o castelo, porém o
consolo é que você se foi. Pra sempre. Suas teias não me prendem mais, seu
corpo não engloba mais o meu. Estou livre de você.
Não sou mais um objeto
para usar e abusar porque você foi uma criança mimada que quebra tudo e seus
pais te davam brinquedos novos para destruir simplesmente porque eles queriam
que você calasse a boca. Mas eu não sou um brinquedo e você não me destruiu. Você
tentou e tentou, e tentou, e tentou novamente, você nunca me corrompeu; não por
falta de tentativas, mas sim porque ainda havia amor próprio suficiente para me
salvar de você. Não precisei de um príncipe para me salvar do dragão, eu só
precisei de mim mesma. Eu sou tudo o que preciso.
Eu fiquei bem sem você e
ficarei bem por muito tempo depois de você ter ido.