Já tem
tempo da última vez que pensei em você, ainda mais da última vez que meus olhos
pousaram nos seus. Quando nossos caminhos se separam, o sentimento que me dominou
foi o ódio. Então a raiva. O rancor. A aceitação. O alívio.
Por tantos
anos eu me dediquei a você na esperança que alguma migalha sua viesse para meu
estômago vazio. Pequenas misérias que caíram em meu colo não foram o bastante
para aplicar a fome que me consumiu por tanto tempo. O sentimento que
continuava a crescer com a fome que nunca foi aplacada. Você sempre soube que
um dia o monstro seria eu. Você planejou desde o princípio.
O seu
plano foi perfeito, não é? Eu fui trocada num piscar de olhos porque todos nós
somos substituíveis de uma forma ou de outra. O sistema que nos engloba fez
questão de que para cada um de nós que morre, mais dez nasçam. Você sempre fez o
melhor que pode com o sistema que alimenta o seu monstro interior. Não há remorsos
para quem sobrevive às custas dos outros.
Eu aceitei
o fim, eu abracei o fim. O final faz parte de mim como você nunca fez. Há quanto
tempo faz que o fim veio e eu permaneci intacta apesar de todos os obstáculos que
a ruina de você insiste em abraçar todos ao seu redor e nos levar junto para o
fundo dos oceanos? A sua ruina trouxe a minha, sim, mas eu sei nadar.
Eu amo o
fim.
Eu abraço
o fim.
Hoje às
onze e quarenta e seis dessa noite de sábado em Novembro eu aceito que o seu
fim trouxe o meu, eu aceito que tudo morre, aceito que nada há de durar para sempre.
Sei que o caos chega para todos. Eu aceitei o meu fim.
Você aceitou
o seu?
Nenhum comentário :
Postar um comentário